quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO (Steve McQueen/2013)

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Objeções facilmente refutáveis ​​ – “convencional!”, “tema batido”, “feito para brancos se sentirem culpados!” – podem ter validade se alguém quiser travar uma discussão exauriente sobre o filme, mas desviam o foco da tese elementar que ele almeja defender.

12 Anos de Escravidão se preocupa em observar o indivíduo jogado numa situação desumana. Contrasta um homem (Solomon Northup) destituído do seu reconhecimento social anterior e do direito à liberdade da qual fruía desde o nascimento com quem nunca gozou de tais direitos (escravos nascidos em plantações). Como fica sua dignidade inata enquanto sofre um processo forçado de objetificação, reduzido à condição de propriedade?

Cada negro ganha uma personalidade distinta, mesmo em papéis coadjuvantes terciários, ao contrário daqueles boca-aberta que decoravam os fundos dos cenários de Django Livre. Ao dar-lhes voz e cérebro, a violência neles infligida torna-se ainda mais perceptível. O roteiro, a direção e as performances nunca tomam a brutalidade por certa. Mesmo os escravagistas (Michael Fassbender, Benedict Cumberbatch) apresentam nuances de caracterização, rejeitando a armadilha da vilania caricata.

A encenação dispensa o vanguardismo, comparada à filmografia prévia de McQueen. A narrativa tampouco ambiciona o revolucionário. Precisava? O academicismo, quando posto em prática com excelência, volta e meia proporciona um filme especial. Vide A Lista de Schindler, cuja ousadia ao abordar o Holocausto limitou-se ao emprego do preto-e-branco.

McQueen legou uma intensa experiência cinematográfica alicerçada em sofrimento, empatia e conscientização para quem ainda se ofende por crimes imprescritíveis contra a humanidade. [Info] ★★★★★

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