quarta-feira, 19 de novembro de 2014

TRONO MANCHADO DE SANGUE (Akira Kurosawa/1957)


Kurosawa explora a falácia da intriga e traição motivadas pela sede de poder – uma transposição de Macbeth para o Japão feudal do século XVI.

Pode-se refletir sobre a temática, sem esquecer da forma como o diretor a apresenta. Tudo calculado para impressionar: o posicionamento da câmera e sua movimentação em instantes oportunos; a localização e o deslocamento dos atores nos cenários; o gestual, a fisionomia e a expressão corporal oriundas da tradição do teatro Noh; mudanças climáticas auxiliam na criação de atmosferas variadas; a fotografia P&B capta vastos terrenos arenosos, neblina densa e a floresta-labirinto. A edição dinamiza a cadência entre o ponderado (conotando eventos pesarosos, ressonantes) e o ágil (batalhas, corridas).

Daí se depreende a inadequação em opor, automaticamente, noções de conteúdo e forma, que são complementares, tanto na feitura quanto na apreciação de uma obra artística. [Info] ★★★★★

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