segunda-feira, 3 de novembro de 2014

TRANSFORMERS: O LADO OCULTO DA LUA (Michael Bay/2011)


Admiro a desenvoltura de Bay ao dominar o limitado território no qual se aventura. Não cultiva o classicismo de Spielberg ou Cameron, mas é perito em coordenar o absurdo megalomaníaco da vertente mais mercenária e faraônica dos arrasa-quarteirões americanos. Impacto sensorial, adrenalina, diversão bem-humorada – a trindade formadora da cartilha pela qual Bay reza. Usa e abusa de imagens computadorizadas fotorrealistas da IL&M, insere-as em quadros panorâmicos cuja ocasional beleza passa despercebida nas diatribes, sustenta dilatadas sequências de caos enquanto preserva a energia narrativa lá em cima. “Apenas” seus dotes na condição de storyteller dramático e diretor de atores merecem reprovações (uma prova é Pearl Harbor, que só funciona ao mostrar a guerra).

Quanto a O Lado Oculto da Lua, na segunda hora de metragem, durante o quebra-quebra climático que reduzia a pó uma metrópole inteira, a ficha caiu. Apesar do CGI top de linha, de pirotecnias colossais, dos estrombólicos efeitos sonoros, aonde havia ido a fascinação pueril? A experiência empalidece no quesito leveza, ao contrário do original (detentor do fator ‘novidade’) e do espezinhado capítulo do meio (uma bagunça louca, exagerada – e cativante).

Não obstante as abobrinhas cômicas a colorir as peripécias de Sam Witwicky, o clima ganhou em seriedade. Os riscos se avolumaram. A gravidade da ameaça à Terra cresceu. Pena. O absurdo compunha um dos genes vitais de Transformers; sua mitigação, que rendeu críticas menos severas dos profissionais, desmanchou uma parcela do charme escapista. [Info] ★★★

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