sábado, 22 de novembro de 2014

SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE (Steven Soderbergh/1989)

Soderbergh se mostrava mais atento a questões humanas em 1989 do que hoje, acostumado a privilegiar a estilização visual, a experimentação editorial e abordagens distanciadas. Teria o diretor involuído, ludibriado pela busca de uma identidade autoral idiossincrática, nem sempre apropriada ao material trabalhado? Como se a dramaturgia empalidecesse em face da maneira de fotografar ou cortar. Vide o O Desinformante e Contágio, ambos alienantes. Completamente distintos desta obra-prima inaugural que casa humor leve e autodescobertas intensas, radiografando o âmago de gente comum às voltas com questões ligadas a sexualidade, identidade e honestidade. Temas adultos problematizados por um Soderbergh modesto em termos cênicos, mas impelido por uma sensibilidade inédita desde então. [Info] ★★★★★

2 comentários:

  1. Eu acredito que esta diferença de estilo está mais ligada a falta de recursos que o diretor tinha em 1989. Na época, o cinema independente tinha muito menos espaço do que hoje e a chance de algum diretor chamar atenção seria com um obra pessoal, diferente e polêmica.

    Depois que ele se firmou como diretor famoso e tendo dinheiro a disposição, ficou mais fácil experimentar gêneros diferentes, inclusive fazer filmes mais voltados para o "cinema-pipoca" do que para arte.

    Abraço

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    1. Talvez seja isso mesmo. Mas acho que prefiro o Soderbergh de outrora, então!

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