sábado, 29 de novembro de 2014

O VÍDEO DE BENNY (Michael Haneke/1992)


Quem assusta mais: o apático adolescente do título ou seu pai-robô? O único resquício de emoção vem da mãe, embora hajam indícios de que ela tampouco bata com as dez. Que família adorável!

Perturbador retrato da insensibilidade, contextualizado numa época em que o viver se subordina ao conteúdo veiculado nas telas. Na atualidade dominada por imagens, esta obra-provocação acumula relevância. Em 1992, Haneke foi perspicaz o suficiente para atingir certo grau de presciência.

Em entrevista que acompanha o DVD, esclarece Haneke que matérias de jornal o motivaram a desbravar a dissociação da realidade e a consequente inabilidade de indivíduos nutrir empatia. Quando instados a justificar atos incompreensíveis de violência, alegam querer saber qual a sensação de ferir alguém.

Seria ingenuidade se subscrever por completo à negatividade e à frieza da visão de mundo do austríaco, mas ele trabalha com recortes em vez de tentar abranger todas as minúcias da complexa sociedade sobre a qual se debruça. Inteligente, o diretor não ousaria propor a inexistência de qualidades positivas nas figuras que busca estudar; o foco na perversidade se dá por ela representar terreno mais fértil para a investigação de perspectivas críticas dos recantos desagradáveis do mundo que habitamos. [Info] ★★★★

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