quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O DISCURSO DO REI (Tom Hooper/2010)


Fácil entender por que cativou a crítica, o público e a Academia. Histórias de superação e amizades improváveis sustentam filmes que miram no emocional. Tópicos assimiláveis pela maioria, independentemente de gosto ou cultura, não demandando abordagens vanguardistas. Enquadra-se naquela categoria que Truffaut e colegas da Cahiers du Cinéma rotulavam de “le cinéma de papa”: acadêmico, certinho, previsível, inofensivo. O termo serve tanto de elogio dúbio quanto crítica indireta. Seria tal atributo inerentemente criticável? E quando a caretice anda de mãos dadas com a eficiência e a qualidade?

Pode-se não se desmanchar em lágrimas com a evolução do relacionamento entre o rei inglês gago e o fonoaudiólogo australiano, nem se sentir inspirado com a determinação do monarca em dar a volta por cima de suas limitações em prol da nação em tempos de guerra. Mas é improvável que alguém termine a sessão coçando a cabeça, fazendo perguntas sobre significados ou simbolismos ocultos.

Quem verte lágrimas com facilidade, alheio ao estratagema cinematográfico empregado para obtê-las, ficará grato pelas lições aprendidas. Sendo honesto o sentimento aflorado a barganha se completará, o valor pago valido a pena, os esforços dos realizadores atingido os objetivos. Outros, em contrapartida, percebendo a timidez que informa o trabalho do roteirista David Seidl e do diretor Tom Hooper, talvez se restrinjam a notar o elenco e a cenografia. O Discurso do Rei é interpretado com afinco pelo trio Firth-Rush-Carter, ora engraçado, por vezes “tocante”, embora nunca especial – o preço pela avidez em agradar a gregos e troianos. [Info] ★★★

Um comentário:

  1. Os estratagemas dos realizadores totalmente me capturaram! ;-)

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