terça-feira, 11 de novembro de 2014

MINHA FELICIDADE (Sergei Loznitsa/2010)


Espanta Loznitsa não ter sido declarado persona non grata na Rússia: incomum testemunhar uma sociedade retratada de modo tão pouco lisonjeiro. Empatia, educação, integridade, respeito – conceitos alienígenas para aquela gente, cujas faces fechadas estampam a infelicidade. Civis podem usar a desculpa de sobreviverem a um cotidiano calejado; já no caso dos guardas de trânsito e soldados, o abuso de autoridade e a corrupção dispensam motivações externas. Michael Koresky interpretou o documento-pesadelo de Loznitsa como uma alegoria sobre o “interminável ciclo de violência da História”, ao passo que Moritz Pfeifer entende que a jornada involuntária rumo à desumanização, empreendida pelo caminhoneiro-protagonista, simboliza a “abnegação forçada de uma alma apática”.

Minha Felicidade é um título irônico, antitético ao conteúdo invernal e infernal apresentado. [Info] ★★★

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