quinta-feira, 6 de novembro de 2014

HARAKIRI (Masaki Kobayashi/1962)


O apelo à autoridade integra o rol de falácias, aptas a minar qualquer argumentação séria. Nele vou incorrer, pois só evocando um texto escolado poderia fazer jus a Harakiri, ápice da perfeição cinematográfica em dois quesitos: 1) economia narrativa (ausência de planos supérfluos) e 2) rigor formal (movimentos e angulações de câmera estratégicos, integral aproveitamento do espaço em profundidade e largura para composições, posicionamento simbólico do elenco nos cenários, cortes criteriosos). Estilo conjugado à temática; mínimo espalhafato, máxima eficácia. Em resumo, o essencial.

Teria alguém já pensado, ingenuamente, ser capaz de aprender tudo sobre direção ao ver determinado filme? O delírio me veio à cabeça enquanto absorvia as imagens que davam vida à trama moral sobre desumanização, fomentada pela aderência dogmática a filosofias pétreas, um ideal tradicionalista de honra colocado acima de valores humanistas, narrada com disciplina tal por Masaki Kobayashi, quase ritualística, que aparenta espelhar o metodismo do código de conduta Samurai, “caminho do guerreiro”, o Bushido. [Info] ★★★★★

Com a palavra, Strictly Film School:
Based on a novel by Yasuhiko Takiguchi, Harakiri is a scathing indictment on the hypocrisy, repression, and barbarism of codified behavior. Using rigid rectangular framing against fluid tracking shots and exquisitely composed long shots that delineate class station and social disparity, Masaki Kobayashi visually reflects the oppressive confinement and regimentation of the samurai bushido (code of conduct): the title sequence presented against shots of the empty passageways that lead to the sacred chamber of the Iyi clan’s ancestral armor; the isolating, diagonal shots of Saito’s interviews with Tsugumo and Chijiwa; the repeated image of Tsugumo on a ceremonial mat encircled by retainers. By illustrating the class stratification and imposed social conformity fostered by the Tokugawa shogunate (1600-1867) as a means of retaining and centralizing authority, Kobayashi presents a harrowing indictment of the ingrained cultural legacy of coercive, outmoded rituals, chauvinism, and blind obedience that resulted in the inhumanity and senseless tragedy of the Pacific War.

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