sábado, 8 de novembro de 2014

FACE A FACE (Ingmar Bergman/1976)


Bergman ganhou notoriedade por seus dramas investigativos das angústias humanas – o termo “psicológico” usualmente marca presença na descrição de suas obras. Irônico, portanto, ter ele julgado apropriado especular sobre a queda de uma psicóloga nas trevas da insanidade, repletas de simbolismos que aludem a traumas derivados de indiferença parental, solidão, receio da morte, incertezas existenciais.

No papel, o conceito iludiu Bergman com a oportunidade de potencializar recorrentes preocupações temáticas. Na execução, porém, decepciona. A rigidez mortificante e o histrionismo que, desta vez, não convence, dão a Face a Face um ar involuntário de autoparódia. O espectador corre o risco de ficar anestesiado pela obviedade das alucinações/sonhos da protagonista, devido à sensação de repetição criativa vinda de alguém cujo faro para exercícios inovadores de ordem tanto temática quanto estética era tomado por certo.

Contrabalanceando os aspectos negativos, a impressionante entrega de Liv Ullmann. Quando ela se desamarra da realidade, sucumbindo à crise nervosa engatilhada pelos medos e recalques mais antigos e profundos, o filme ganha em eficiência. [Info] ★★★

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