domingo, 16 de novembro de 2014

COSMÓPOLIS (David Cronenberg/2012)

Cosmópolis fala sobre a impessoalidade. Apesar de o abstracionismo da especulação financeira virtual formar o pano de fundo contextual, o que instiga Cronenberg é o processo de humanização de um bilionário tubarão do mercado de ações (Robert Pattinson), cujas interações desapaixonadas com a esposa, colegas de trabalho e outros conhecidos mostram-se tão teóricas quanto os números que manipula na profissão. 

Enquanto percorre a cidade numa limusine customizada, dilapidando sua fortuna e pondo em risco a economia mundial, o jovem perde gradualmente a fachada robótica. Mesmo a estética límpida, ligeiramente artificial da câmera digital de Peter Suschitzky acentua a frigidez emocional, o distanciamento. Diálogos numerosos e complexos a princípio intimidam, mas carregam o propósito de intensificar a estranheza da atmosfera sugestiva de uma realidade paralela distópica. [Info] ★★★

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