terça-feira, 4 de novembro de 2014

CAVALO DE GUERRA (Steven Spielberg/2011)


Spielberg impõe a Cavalo de Guerra uma estética conservadora, vertendo doses generosas de sentimentalismo otimista. A artificialidade cromática da conclusão, dominada pelo intenso alaranjado de um pôr-do-sol, destacando as silhuetas dos personagens, remetem ao plano de encerramento em E o Vento Levou. A ambientação bucólica da abertura lembra Como Era Verde Meu Vale. O pato ardiloso refresca a memória de Sublime Tentação. Janusz Kaminski, em seu trabalho mais límpido, captura a beleza de locações europeias, aproveitando a interação entre escuridão e flashes de luz em campos de batalha durante a noite.

O filme surpreende pela violência que propositalmente destoa da inocência transmitida pela hora inicial, traindo a inclinação de programa-família. A intenção era evitar a banalização do conflito; ainda assim o contraste atordoa. Reservas à parte, a guerra inspira o diretor: enquanto permanece nas trincheiras ao lado de equinos e soldados em defesa da vida e liberdade, Spielberg prende a atenção. [Info] ★★★

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