quinta-feira, 6 de novembro de 2014

BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE (Christopher Nolan/2012)


Sábias as palavras de Alfred Pennyworth: “por que caímos? Para que possamos nos levantar”. O Bem e o Mal nunca serão definitivamente vitoriosos. Cedo ou tarde, crimes acontecerão, salvamentos também, a ordem das coisas balançada, depois restaurada – num movimento pendular que terminará somente após o último homem perecer.

Por isso franquias de super-heróis perduram: é inerente a queda de braços contínua entre duas faces da mesma moeda – a humanidade. ‘Desistência’ não integra o vocabulário de Batman, nem o da Liga das Sombras. Sofrimento, abnegação, sede de vingança – sentimentos experimentados tanto pelo protagonista quanto pelos inimigos, que compartilham mais do que supõem. O diferencial a separá-los está na interpretação do termo “justiça”. A destruição de Gotham para Bane, a proteção de vidas inocentes e a restauração da paz para o Cavaleiro das Trevas.

O choque de valores opostos adquire um contorno definido se comparado ao filme anterior, no qual a linha divisória entre o Cruzado Encapuzado e seu reverso, o anárquico Coringa, foi borrada. Aqui, Nolan permite que um poder alternativo (uma exacerbação do Comunismo) se instaure na metrópole, eliminando a propriedade privada, destituindo a classe privilegiada, neutralizando a força policial e concentrando a jurisdição. Medo = alicerce do autoritarismo. Convicção ideológica = combustível a justificar o terrorismo. Correndo o risco de ter disparados em sua direção adjetivos como “reacionária”, “maniqueísta” e “imperialista”, a mensagem de Nolan valida o combate à corrupção e ao crime sem implicar na defesa do abandono da manutenção do atual sistema de organização sociopolítico.

Ação de cair o queixo e uma notável amplitude emocional complementam o fecho de uma trilogia cujo escopo e ressonância temática a distingue de outras, orientadas a um público infanto-juvenil. [Info] ★★★★★

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