sábado, 8 de novembro de 2014

AMANTES (John Cassavetes/1984)


Gente problemática torna o ambiente de convívio tenso, obrigando terceiros a ficarem na defensiva, alertas. Cassavetes era perito em mergulhar o espectador nos círculos sociais, afetivos e familiares de indivíduos desequilibrados por erros, decepções, ansiedade, fragilidade. O autor dispunha de um grupo fiel de intérpretes cuja intensidade condizia ao estado emocional no qual se encontravam os personagens. Love Streams segue à risca essa “fórmula” (uso a palavra não em sentido pejorativo), exaurindo – e comovendo – o público interessado num cinema voltado às inadequações básicas da vida. 

Para a mãe recém-divorciada de Gena Rowlands, o amor lembra uma correnteza, contínuo. O ex-marido e a filha pubescente, estafados pela vulnerabilidade dela, discordam. O irmão, escritor alcoólatra, parece incapaz de nutrir esse sentimento. Cassavetes sustenta uma ilusão de realismo – de vidas, relacionamentos e temperamentos – superior à do seus colegas. [Info] ★★★★

4 comentários:

  1. De Cassavetes como diretor assisti "Gloria" e "A Morte de um Bookmaker Chinês".

    Ele tinha estilo próprio, quase marginal.

    Abraço

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  2. Eita, um dos filmes mais fortes de todos os que já vi na minha vida...ninguém como Cassavetes para sondar os recalques da alma humana, suas dores, sua subjetividade algo estropiada pela necessidade de sobreviver a um mundo exterior a quem essas carga subjetiva nada representa. Tenho que rever esse filme e quase toda a obra dele, mas fico sempre adiando esse enfrentamento...

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    1. Eu também. Tenho que terminar a filmografia dele, mas devo estar psicologicamente preparado para tal!

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