quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A REDE SOCIAL (David Fincher/2010)


Fincher, a partir do roteiro verborrágico de Aaron Sorkin, trabalha com ironias. Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) tem um intelecto invejável, raciocínio ligeiro, estuda em Harvard, cercado pela nata. Socialmente despreparado, aliena interlocutores com um pragmatismo cortante, agravado pela empáfia. Formula um inovador site de relacionamento onde usuários adicionam conhecidos, compartilham informações, trocam mensagens. No ápice do sucesso profissional, recém-alcançada a notoriedade na faculdade, o garoto prodígio coleciona inimigos, trapaceia quem o ajudou, toma processos, perde o mais próximo – ou único? – amigo, Eduardo Saverin (Andrew Garfield).

No plano virtual, a rede interativa prolifera. Na prática, as conexões pessoais de Zuckerberg desmoronam. Resta a solidão.

O consenso vende uma “obra-prima emblemática” sobre a alienação desta geração imersa em tecnologia, enriquecida pela raposice modernista de Fincher ao coordenar visual, áudio e narrativa. Impossível não reconhecer a abordagem hiperativa, anti-acadêmica da direção; há, porém, espaço para discordar do seu grau de sucesso. Como toda obra imediatamente canonizada, na opinião de uma minoria talvez se resuma a um programa curioso. [Info] ★★★

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