domingo, 2 de novembro de 2014

A PELE QUE HABITO (Pedro Almodóvar/2011)


[Spoiler] Conto de vingança, A Pele que Habito transcende sua premissa básica, chegando a lugares perturbadores, especialmente se quem o assiste pertencer ao sexo masculino.

Almodóvar inverte a ordem costumeira dos fatos: somos apresentados, sem perceber, ao resultado da desforra do obcecado, aético cirurgião (Antonio Banderas) antes de compreender a totalidade do que está ocorrendo. O que ficaria reservado ao desfecho em filmes genéricos acontece desde o início, a olhos vistos. A guinada cruel se verifica na metade da projeção, alterando a percepção do que fora apresentado antes e do que virá a seguir.

O baque é friamente calculado, quase anticlimático, em oposição a algo explosivo – revelações se avolumam, fazendo a ficha cair perante tamanha violência física e psicológica. Jamais se inibindo em desbravar vias distorcidas, a trama induz a considerar o quão devastadora seria para um indivíduo a obrigação de viver num corpo que não corresponde à sua identidade sexual.

É um horror conceitual, desapaixonado, mais escandaloso no espírito do que na execução e, apesar de absurdo, encenado com convicção por Almodóvar. [Info] ★★★★★

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