quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A NOITE (Michelangelo Antonioni/1961)


Espaços amplos simbolizam o vazio interior de homens e mulheres à deriva. Um casal incapaz de se comunicar, distanciado também no plano físico. Silêncios que ecoam, ensurdecedores.

Quando o marido embarca numa tentativa de aventura extraconjugal com outra mulher tão desiludida quanto ele, a dificuldade de interação emocional novamente se faz notar.

Inquietude, tédio, solidão. Marido e esposa dividem o mesmo apartamento, embora não mais compartilhem um elo afetivo. Poucas e breves conversas, vazias. Ele se mostra desinteressado, alheio. Ela prefere perambular nas ruas. Em busca de quê? Fuga, lembranças, novos contatos?

Em A Noite, o que conta não é o impulso narrativo per se. A paralisia existencial do trio de protagonistas – Marcello Mastroianni, Jeanne Moreau, Monica Vitti – fornece o drama. O conteúdo brota de cada reticência, de olhares ressentidos ou acusadores, da interação entre atores e os ambientes que os cercam, dos sentimentos incertos e pensamentos suprimidos, ainda assim sugeridos. A aparente monotonia camufla questionamentos sobre vidas despropositadas e relacionamentos sem amor. [Info] ★★★★

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