sexta-feira, 3 de outubro de 2014

VIRIDIANA (Luis Buñuel/1961)

Questionável a coerência da altivez moral da noviça Viridiana (Silvia Pinal), que se recusa a dedicar uma mínima dose de calor humano ao tio (Fernando Rey). Após a morte dele, decide acolher mendigos, prostitutas, leprosos e vagabundos das ruas, arrebanhando-os para morar consigo, na esperança de fazê-los trabalhar, de “corrigi-los”. Perspicaz, Buñuel escancara a hipocrisia autocomiserativa, a falsa culpa – no lugar de genuína solidariedade – a motivar o ímpeto de caridade de idealistas ingênuos. Confrontadas com os descalabros dos maltrapilhos, as convicções de Viridiana acabam estilhaçadas pela irrefreável natureza humana. [Info] ★★★★

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