terça-feira, 21 de outubro de 2014

RICARDO III (Laurence Olivier/1955)


Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!

Personagem de Shakespeare insidioso, traiçoeiro, vidrado em almejar a coroa britânica a ponto de, nas próprias palavras, ser capaz de "mandar Maquiavel de volta à escola". A sordidez de caráter é externada no corpo deformado. Laurence Olivier, manquitolando, sob prostéticos e peruca, cria um vilão simultaneamente carismático e odioso.

A exemplo das piores adaptações shakespearianas, teria Ricardo III caído na armadilha do ‘teatro filmado’? Na cadeira de diretor, Olivier coordena planos fluidos e ações de fundo de coreografia elaborada, permitindo à fotografia em VistaVision e Technicolor gravar a riqueza de cores nos vestuários. Nada de composições achatadas, câmera travada ou edição sustentada por tomadas de ação-reação em close-up.

Apesar de tais qualidades, persiste um ranço teatral em determinados momentos (os solilóquios do tirano voltados à tela). Percebe-se, ainda, a marcha pesada, aborrecida. O espectador interessado no sumo temático e na linguagem do bardo tirará melhor proveito desta produção; outros talvez a considerem hermética. [Info] ★★★

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