quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PAIXÕES QUE ALUCINAM (Samuel Fuller/1963)


P&B em alto contraste dá tom ao enredo: jornalista ambicioso finge molestar a irmã (na verdade, sua namorada), pretendendo ser internado num manicômio para desvendar o assassinato de um interno.

Fuller não economiza no sensacionalismo, desde que isso o ajude a provar seu ponto – um diretor inseguro inibiria o teor provocativo do roteiro, diluindo-lhe a potência.

Dentre os lunáticos confinados junto do farsante sedento do Pulitzer encontram-se o negro racista que acredita ser o fundador do Ku Klux Klan após sofrer pressão por haver sido o único afrodescendente numa universidade sulista; o caipira veterano da Guerra da Coreia transformado em comunista por lavagem cerebral, agindo feito um personagem da Guerra Civil Americana; o brilhante cientista, um dos idealizadores da bomba atômica, regredido à mentalidade de uma criança de seis anos.

Para Fuller, o hospício representa as mazelas que acometiam a sociedade americana na década de 60. [Info] ★★★

2 comentários:

  1. Ainda preciso conferir estes trabalhos independentes de Samuel Fuller nas décadas de 60 e 70.

    Dele assisti apenas o polêmico "Cão Branco" e o drama de guerra "Agonia e Glória".

    Abraço

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    1. Também vi esses dois. Pra mim, "Cão" é dos filmes mais chocantes.

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