sábado, 25 de outubro de 2014

O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS (Tomas Alfredson/2011)


Michael Phillips (Chicago Tribune) identificou o tema subjacente à abordagem cerebral de Tomas Alfredson: desalmamento, o preço a pagar pela carreira no mundo da espionagem.

Basta observar a fisionomia do veterano George Smiley (Gary Oldman) para chegar à conclusão de que não é só o avançar da idade que a torna decadente, ainda que o intelecto permaneça aguçado. A câmera privilegia a corrosão psicológica advinda do constante estado de tensão; fugas ou perseguições a la James Bond dão lugar ao registro de comportamentos suspeitos, silêncios significativos, expressões ambíguas, posturas contraditórias, entonações sutis, ambientação paranoica. Personagens cifrados, peões no roteiro denso e narrativa elíptica, evitam explicitar motivações e ligações uns com outros. A atenção requerida supera a média do gênero.

Indicado a quem prefere quebra-cabeças intrincados a fortes emoções. [Info] ★★★

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