sábado, 11 de outubro de 2014

NOSFERATU: O VAMPIRO DA NOITE (Werner Herzog/1979)


Teria o leitor já sentido o odor pútrido da morte, engolfado pela gélida morbidez das trevas…? Tomara que não, mas na hipótese de ser ele alguém de coragem, a releitura do clássico de 1922 poderá suprir tal deficiência.

A ação é esparsa. Herzog prefere sustentar uma atmosfera fúnebre e melancólica, empregando locações reais a céu aberto em vez de limitar-se a sets artificiais de estúdio. Recria composições homenageando Murnau, sem deixar de voltar a câmera às minúcias da caracterização de Kinski, na pele do taciturno Conde Orlock, cujos olhos perscrutadores comunicam uma solidão milenar.

Desinteressada em sobressaltos e sanguinolência, esta obra-prima contemplativa, perturbadora, é tornada mais impressionante – e respeitável – pelas portentosas sequências levadas a cabo no muque pela equipe, antes de poder contar com o auxílio de ferramentas digitais. [Info] ★★★★★

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