segunda-feira, 20 de outubro de 2014

NASCIDA PARA O MAL (John Huston/1942)


Bette Davis, Olivia De Havilland, Charles Coburn, Hattie McDaniel. Elenco invejável, desperdiçado pela trivialidade da narrativa. O filme se distingue exclusivamente devido à caracterização atípica de um personagem negro – num projeto hollywoodiano, de estúdio, ambientado no sul dos EUA, no começo dos anos 40.

Afrodescendentes eram usados como caricaturas visando ao alívio cômico (Pérfida, O Último Refúgio) ou relegados ao posto de serviçais (E o Vento Levou). A sociedade fora assim, seus preconceitos imortalizados em celuloide. Aqui, repete-se a figura do criado, com o diferencial de se expressar e portar feito uma pessoa normal em vez de um bobo assustado ou um palhaço, dotado de inteligência e ideias próprias (almeja a advocacia). Agradável surpresa, impermeabilizada contra a condescendência debochada, típica da época.

Conforme anotado por um crítico, Nascida para Ser Má pode não ter eliminado o estereótipo nas telonas, mas apontou para o início do fim, graças a um homem representado com dignidade. [Info] ★★★

Um comentário:

  1. Filme pouco conhecido de Huston. Eu mesmo não lembro de nenhum comentário sobre. Vou procurar baixá-lo.

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