segunda-feira, 27 de outubro de 2014

DRIVE (Nicolas Winding Refn/2011)


Drive orgulha-se do ar deliberadamente cool que ostenta. Desapegado da própria violência extrema, concebido para alcançar o status de futuro objeto de culto na condição de fita de ação alternativa, “de arte”. Embora mantenha o espectador a um palmo de distância, parece clamar por admiração imediata. Compõe-se de longos minutos silenciosos, inúmeras tomadas em slow motion, a câmera de movimentos sedutores voltada ao olhar pensativo, melancólico de protagonistas que se expressam antes pela fisionomia do que por palavras.

Tamanho solipsismo estilístico justificaria o sinal verde para espinafrar Refn. A evidente qualidade técnica da produção, a recusa em amaciar a repugnância da carnificina, os flashes de um coração batendo sob a carroceria sofisticada e gélida (o amor platônico brotado entre o mocinho lacônico capaz de esmagar a cabeça de um homem com os pés e a vizinha garçonete), contudo, impedem tal reprovação. [Info] ★★★

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