quarta-feira, 29 de outubro de 2014

BARRY LYNDON (Stanley Kubrick/1975)


Elogiar a beleza pictórica, descrever a minuciosa reconstituição de época, evocar a então inovadora iluminação natural – chover no molhado. O perfeccionismo técnico é notório. Sigamos adiante.

Esta biografia fictícia/adaptação literária/épico de época contradiz uma acusação volta e meia direcionada contra Stanley Kubrick: a de misantropo implacável, distanciado dos personagens, aos quais concedia, no máximo, um espectro emocional negativo.

Em Barry Lyndon – apesar das ironias presentes na tragicômica jornada de ascensão e queda do alpinista social irlandês oportunista, esperto, tolo, corajoso, sortudo e azarado -, os vícios humanos caminham junto das virtudes. O cineasta aproveita a deixa para capturar algumas das situações mais empáticas que filmara até então. O conteúdo não se permite afogar pela enfática suntuosidade cenográfica.

Lyndon, ao longo de sublimes três horas, prova ser uma revelação no contexto do cânone kubrickiano. [Info] ★★★★

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