segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A VILA (M. Night Shyamalan/2004)


A Vila problematiza a mecânica do medo, o trauma infligido no homem por si mesmo, desnudando a falácia de adotar como meio de defesa o exato instrumento que se pretende combater. Pode-se arriscar uma interpretação alegórica, politizada, acerca do protecionismo paranoico a definir a sociedade americana no pós-11/9, cujo governo alimenta o pânico da população, apontando como ameaça qualquer um oriundo de fora da comunidade fechada.

Assim era o cinema de fumaças e espelhos praticado por Shyamalan: defletor do literal, impermeável ao raso, negador do descartável – pelo menos, antes de O Último Mestre do Ar e Depois da Terra. O indiano carregava o dom de contornar o óbvio, gravar no suspense uma assinatura particular, sem relegar proposições temáticas ao ostracismo. [Info] ★★★★

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