segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A FITA BRANCA (Michael Haneke/2009)


Situado às vésperas da I Guerra Mundial numa rústica aldeia alemã, autoritária e patriarcal, A Fita Branca investiga a conjuntura que levou aquela área da Europa a degenerar rumo ao nazifascismo responsável por outro conflito global 20 anos depois. Ironicamente, o pedaço de tecido referido no título simboliza pureza e retidão; amarrado ao braço ou cabelo de crianças mal comportadas, de nada construtivo serve, exceto humilhar e segregar. Qualquer semelhança com atrocidades cometidas pela geração seguinte em prol da supremacia ariana, obrigando judeus a se identificar com uma fita atada nos braços, não é mera coincidência.

Haneke, comedido em comparação ao show de horrores de A Professora de Piano e Violência Gratuita, constrói um clima sinistro, agourento, refletido na índole severa dos personagens. A câmera, estática, fotografando em preto-e-branco, evoca a de Dreyer nos tempos de A Palavra e Gertrud, ao passo que diálogos impiedosos entre casais sugerem uma influência da escrita de Bergman. [Info] ★★★★

Um comentário:

  1. É um filme pesado em que Haneke não dá respostas fáceis, deixa várias opções de culpados e utiliza sentimentos como ódio e vingança para mostrar sua visão de mundo.

    Abraço

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