segunda-feira, 15 de setembro de 2014

OS BONS COMPANHEIROS (Martin Scorsese/1990)


Passados 10 minutos da impactante abertura, a perícia de Scorsese já embalou o público numa sinergia narrativa via planos-sequência desenvoltos, edição funcional à serviço do enredo (notem a alteração na frequência e cadência dos cortes no terço final, sinalizando a paranoia de Liotta) e uma trilha licenciada que evoca o espírito da época retratada.

O diferencial deste para outros painéis cinematográficos sobre gângsteres é que Nicholas Pilleggi e Scorsese, roteiristas, adotaram a perspectiva de dois personagens parciais: o de Henry Hill (Liotta, no efêmero ápice da sua carreira), que desde criança sonhava com a vida de wiseguy, e Karen (Lorraine Bracco, excepcional), namorada e depois esposa dele, que se excita ao vê-lo entregar-lhe uma arma ensanguentada. Faz sentido haver liberdade em registrar o poder de sedução contido no glamour, no poder e nas facilidades disponíveis naquele meio criminoso. Não se trata de glorificação leviana – a saga de Hill percorre a clássica linha da ascensão e queda, logo, o lado ingrato da moeda de ser um dos “bons companheiros” virá à tona no devido momento.

Liotta, Bracco, Robert De Niro, Paul Sorvino e Joe Pesci contribuem de maneira decisiva para o sucesso da empreitada, estimulados pela empolgação de seu mentor por trás das câmeras, estribados pelo sumo encontrado no texto, engrossando a galeria de figuras memoráveis do gênero. [Info] ★★★★

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