sábado, 27 de setembro de 2014

GUERRA DOS MUNDOS (Steven Spielberg/2005)


Melhor aproveitar os compactos 116 minutos de Guerra dos Mundos ao máximo - é incomum presenciarmos um Spielberg assim endiabrado, anos-luz do lirismo de Contatos Imediatos e E.T., prévias incursões na ficção científica envolvendo alienígenas. Personagens spielbergianos estão sempre a olhar para cima, em direção aos céus, admirados. O mote, agora, se inverte. Os monstros emergem das profundezas da terra. O sentido de entretenimento escapista promovido por rompantes ufanistas como ID4 sofre uma subversão, ao gosto do Spielberg dark revelado após o contato criativo com Kubrick por ocasião de A.I..

Nesta atualização do romance de H.G. Wells predominam as sombras, a carnificina, o caos, o desespero. Spielberg prioriza dois aspectos: a tensão entre os membros do núcleo familiar Ferrier e os rastros do extermínio implementado pelos invasores surgidos do “golfo do espaço”.

Não obstante ter por base material preexistente, o roteiro de David Koepp desemboca em certas obsessões temáticas de Spielberg: a família desestruturada, o cotidiano suburbano, a jornada de retorno ao lar – o pai divorciado e omisso que aprende a lidar na marra com a responsabilidade perante seus filhos, enquanto tenta driblar a morte e levá-los em segurança à mãe, numa cidade longínqua. [Info] ★★★★

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