segunda-feira, 29 de setembro de 2014

DÁLIA NEGRA (Brian De Palma/2006)

 

Em filmes noir ambientação, aparências e comportamentos suplantam a importância da coerência do enredo – via de regra, um emaranhado deliberadamente confuso de incidentes enganosos, pistas falsas, becos sem saída, traições.

As canetadas desferidas em De Palma por Dália Negra atingem em cheio as fundações do gênero (reviravoltas “forçadas”, atuações “inexpressivas”, relato “impessoal”, “amoralidade”, “estilo sobrepondo-se à substância” etc.). Esperavam o quê, alguma desconstrução godardiana ou, quem sabe, uma abordagem de bom gosto? Objeções míopes ignoradas, resta saborear um delírio pulp guiado por um craque da câmera conhecedor do submundo da criminalidade. 

De Palma procedeu conforme o esperado ao adaptar a fonte de James Ellroy, valendo-se do seu histórico de thrillers sinuosos e sanguinolentos investigativos de mentes pervertidas, lustrando-o com a fotografia esfumaçada e descolorida de Vilmos Zsigmond, arrematando com pinceladas camp (os vilões extrapolam qualquer pretensão de sensatez em termos de caracterização). [Info] ★★★★

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