terça-feira, 30 de setembro de 2014

CORAÇÃO SELVAGEM (David Lynch/1990)


Fósforos em combustão servem de rima visual neste mix de romance e road movie. Labaredas preenchem os créditos de abertura. O fogo representa o ardor da paixão entre os fugitivos Sailor (Nicolas Cage, entoando canções de Elvis) e Lula (Laura Dern, hipersexualizada). 

Lynch dá vazão às excentricidades usuais – psicopatas ensandecidos, mortes pavorosas, perversões sexuais, figuras grotescas -, acompanhadas de outras, inéditas, como as escancaradas analogias com O Mágico de Oz. No entanto, falta-lhe o onirismo hipnótico e a unidade criativa de Veludo Azul.

De narrativa desconjuntada (propositalmente, reconheça-se), exalando feiúra, contaminado por interlúdios de puro mau gosto e violência gratuita, remendado por pausas cômicas cujo humor faz sentido apenas na cabeça do diretor, Wild at Heart talvez seja uma brincadeira de espírito underground sobre l’amour fou, digerível por quem tem a bater no peito um coração selvagem – ou inclinação para se divertir com a fossa humana. [Info] ★★

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