domingo, 14 de setembro de 2014

CARRIE - A ESTRANHA (Brian De Palma/1976)


O registro de um cotidiano escolar de bullying, embora careça de pretensões denunciatórias, convence. Elabora-se uma aura agourenta, graças à iluminação criteriosa e ao impacto de imagens profanas. O horror aloca-se na dinâmica entre as personagens, na exploração do seu feitio. O suspense gela o coração – vide o prolongamento do tempo quando Amy Irving percebe a armadilha. Cenas antológicas – o infernal desfecho do baile de formatura (notável uso de split-screen), o olhar vidrado de Carrie (Sissy Spacek) em estado homicida, o confronto entre ela e a mãe, uma fanática religiosa (Piper Laurie). A caracterização da anti-heroína atormentada, de sua genitora carola ensandecida, da professora de educação física compreensiva e das estudantes mesquinhas recebeu zelo inesperado para uma descompromissada fita “de gênero”.

Este perverso clássico regado a sangue feminino ainda recebe menos louros do que merece. [Info] ★★★★★

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