domingo, 21 de setembro de 2014

CACHÉ (Michael Haneke/2005)


Explorar inquietações que crescem com o tempo, por meio de subjacências narrativas, é a proposta de Haneke. Incitar o debate a respeito de diferenças étnicas, descortinar cicatrizes morais de outrora a arder no presente, expor desavenças de cunho social, identificar o legado deixado por conflitos históricos – por exemplo, o colonialismo francês na Argélia. Um thriller “cabeça”, “de arte”, original e estimulante, que dispensa música convencional para telegrafar clímaxes ou enfatizar pontos-chave. Cada plano enquadrado com precisão, gravado quase integralmente com a câmera fixa.

O cineasta deixa pontas soltas, propiciando à plateia a oportunidade de perscrutar imagens suspeitas, entrever a culpa velada nos olhos do protagonista (Daniel Auteuil), enfim, interpretar a miríade de implicações sugeridas, sobretudo o desfecho malicioso. [Info] ★★★★★

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