sábado, 24 de setembro de 2016

Grandes Temas Musicais


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Rapidinhas

A Travessia (Robert Zemeckis/2015): melhor catalogado como "baseado em fatos reais" do que como biografia, pois pouco revela sobre a vida interior do protagonista além do fato de ele ser quase suicidamente determinado. Cheio de floreios cômicos que beiram o preciosismo e uma bateria de efeitos visuais que talvez convençam mais na telona do cinema do que na televisão, o filme ainda assim proporciona um entretenimento ligeiro empoderado por um clímax ao qual é difícil ficar indiferente. 

A Escolha de Sofia (Alan J. Pakula/1982): decepcionante ler durante anos coisas promissoras sobre uma obra de pedigree cujo chamariz seria a oscarizada performance de Meryl Streep e descobrir que a personagem dela, na verdade, é subordinada ao processo de amadurecimento de um jovem insosso de nome ridículo. Sofia e sua sofrida história de sobrevivência no Holocausto servem de escada para inspirá-lo a escrever um livro, viver mais intensamente e perder a virgindade. No lado positivo, a fotografia de Nestor Almendros, a música de Marvin Hamlisch e a sensível interpretação de Streep. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O CONDENADO (Carol Reed/1947)

Sinopse: Na Irlanda do Norte, um homem planeja um grande roubo para ajudar a sustentar a organização clandestina da qual é o líder. Durante o assalto, ele é ferido e não consegue fugir com os outros membros do grupo. A polícia então arma uma grande operação para capturá-lo.

A abertura sinaliza um thriller político, envolvendo um grupo de nacionalistas irlandeses armados que cometem um malfadado assalto a fim de alimentar os cofres da organização (o IRA, presume-se). Passada cerca de meia hora, o filme revela sua verdadeira face: uma parábola cristã ecoando a via crúcis, na qual a agonia do líder dos revoltosos, ferido, inspira o melhor e o pior no numeroso elenco coadjuvante. Em matéria de estilo, O Condenado se apresenta como um claro precedente de O Terceiro Homem, desde a edição ágil indicada ao Oscar até as tomadas expressionistas de sombras em movimento projetadas em paredes. O diferencial a torná-lo único reside na inclinação ao transcendentalismo do roteiro - aquele termo associado pela crítica a obras de Bresson. Ação, suspense e tragédia fazem-se presentes, mas têm na consciência seu campo de atuação. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

OLIVER TWIST (David Lean/1948)

Sinopse: Oliver Twist (John Howard Davies) nasceu em um orfanato, sendo que logo após o parto sua mãe morreu. Oliver foge para Londres, onde acaba se unindo a uma grupo de jovens delinqüentes liderados por Fagin (Alec Guinness), um vigarista que usa as crianças para cometer pequenos roubos.

A atmosférica sequência de abertura, ilustrando o nascimento de Oliver e a morte de sua mãe, é uma obra-prima em miniatura, livre de música e diálogo, criada a partir de imagem, efeitos sonoros e montagem. O filme restante, por incrível que pareça, supera a grandiosa versão musical de 1968 e o contido drama em cores de Polanski de 2005 nos quesitos violência e crueza.

Pobreza e sordidez emanam dos cenários, do vestuário e da maquiagem fotografados em P&B, assim como da rispidez do comportamento de personagens amorais que se aproveitam do desafortunado órfão. Duvidoso que o tom fosse o mesmo caso produzido na edulcorante Hollywood em vez da Inglaterra. Pode-se preferir as caracterizações do elenco da adaptação cantada de Carol Reed ou o desfecho mais digno dado a Fagin por Polanski, mas quem estiver em busca de uma aparente autenticidade deve priorizar a contribuição de David Lean. Não recomendado para crianças pequenas.

sábado, 10 de setembro de 2016

TÉCNICA DE UM DELATOR (Jean-Pierre Melville/1962)

Sinopse: Maurice Fagel acabou de cumprir sair da prisão. Ele visita seu antigo amigo Gilbert Varnove e o mata. Logo em seguida, Maurice arquiteta um plano para assaltar a mansão de um milionário. Para tanto, ele precisa da ajuda de Silien (Jean-Paul Belmondo), possível informante da polícia.

Noir francês que investiga a viabilidade de laços de amizade e confiança entre criminosos. Um ar fatalista paira sobre os procedimentos à primeira vista obscuros da narrativa enganosa, que espelha a temática (as duas faces dos fora-da-lei) ao relatar uma versão dos fatos enquanto dissimula a suposta verdade, que virá à tona no desfecho acachapante. O que torna Le doulos distinto é a fusão do estilo cool e do sumo dramático melancólico: funciona às mil maravilhas como exercício de impacto visual marcante, obtendo êxito também ao retratar a patética dignidade de quem faz da violação da malha social um meio de ganhar a vida.